Conhecer a nossa história é viver nossa
memória! Usa-se o chavão de que brasileiro não tem memória. E o costamarquense,
tem? Talvez esteja faltando quem conte sua história ou talvez, quem a busque,
quem a leia ou a escute! No dia 16 de junho de 2013, o município que num
momento de inspiração impa o poeta decantou como o lugar onde Deus reuniu as
belezas do mundo, completa 32 anos de emancipação política e administrativa, ou
seja, que se elevou à categoria de município. Aqui, 14 mil pessoas vivem como
bons cidadãos devem viver, cumprindo seus deveres e exigindo seus direitos. BARABÉNS
COSTAMARQUENSES!!! Vamos à um pouco de sua história?
COMO FERTILIZOU.
Não
fui tão amigo de Luiz Erich de Menezes, mas o conheci bem e, várias vezes, por
admirar sua inteligência e sapiência, conversamos e dele absorvi informações
que me internalizaram eterno amor por esse lugar. Para eu sair daqui é só uma
questão de tempo, o tempo de o Guaporé secar e a Serra mudar.
Do
cabedal do citado e saudoso pioneiro, suscito reminiscências ao dizer que a origem
de Costa Marques remonta o século XVIII, com o pequeno vilarejo de Santa Fé localizado
a 5 km de Costa Marques, formado por um pequeno grupo de escravos fugitivos que
trabalharam na construção do Forte Príncipe da Beira entre 1776 a 1783. Convém
ressaltar que os governos coloniais preocupados com a extração do ouro e com a
guarda fronteiriça, trouxeram para a nossa região consideráveis contingentes de
negros para trabalhar em construções públicas como o Forte Príncipe da Beira e
a cidade de Vila Bela de Santíssima Trindade, a primeira capital do Mato
Grosso.
No
século XIX os governos coloniais empobrecidos pela escassez do metal precioso,
abandonaram a região deixando para trás seus escravos, os quais se reordenaram em
diversos espaços como Pedras Negras, Santo Antônio, Santa Fé, Forte Príncipe e
Jesus, mantendo a cultura de suas matrizes quilombolas desmanteladas de
quilombos como Quariterê, Mutuca, Joaquim Teles e Piolho. Tratando-se de Santa
Fé, como disse, a comunidade se formou de Negros fugitivos trabalhadores da
construção da fortaleza do Forte Príncipe e se agregaram a uma empresa peruana
que comercializava o látex. Com isso, Santa Fé passa a ser um vilarejo ponto de
encontro de caucheiros.
FRANCISCO CHIANCA FECUNDA O EMBRIÃO.
Em
1900 o látex tem notoriedade no mundo. O
Vale do Guaporé Nessa época, era um riquíssimo celeiro com seus inúmeros
seringais. Em 1905, Francisco Chianca se estabelece na jusante do Rio São
Domingos com o Rio Guaporé, onde hoje está localizada a bomba injetora de água
da CAERD e passou a trabalhar com os seus agregados ribeirinhos brasileiros e
bolivianos, na extração de lenha para o abastecimento das embarcações a vapor
que trafegavam pelo Rio Guaporé de Guajará-mirim a Vila Bela. Estava assim
formado o vilarejo que o senhor Chianca chamou de Porto São Domingos, o
precursor de Costa Marques.
No
dia 20 de janeiro de 1906, Chianca hospedou em seu tapiri, o coletor de
impostos, engenheiro e ilustre político mato-grossense Esperidião da Costa
Marques, dotado de singular cultura e carisma, cativando, sobremaneira,
Chianca. Contou-me Luiz Menezes que Chianca tratou de Esperidião por ter este
enfermado de malária. Após a partida de Esperidião, O anfitrião impressionado
com a cultura do visitante trocou o nome do lugar que antes era Porto São
Domingos, para Porto Costa Marques, em homenagem ao seu ilustre hospede.
Homenagem esta que levou a instituição do nome a este município. Em razão da
data da chegada ao porto, o então Monsenhor Francisco Xavier Rey escolheu o
Santo do dia, São Sebastião, como o padroeiro do lugar.
O EMBRIÃO SE DESENVOLVE.
Quando
da hospedagem do Senhor Esperidião da Costa Marques no tapiri de Chianca, este
fez um pedido especial a Esperidião, que mandasse para cá um professor para
ensinar as quase 50 crianças entre 6 a 12 anos que não estudavam. Em Santa Fé,
as filhas do senhor Miguel dos Anjos ensinavam às crianças de lá, o que por
esforços próprios conseguiram aprender. No fim de 1906, chegou ao Porto Costa
Marques o professor Boaventura que ensinou neste lugar até 1924.
Com
a criação da escola do professor Boaventura, embrião da atual EEEF Gomes
Carneiro, a maioria das famílias de Santa Fé mudou-se para o Porto Costa
Marques a fim de que seus filhos estudassem. Assim, o vilarejo dava os
primeiros sinais de crescimento. A extração da goma elástica fez florescer
comercialmente o Vale do Guaporé e se estabeleceram em Guajará-mirim e Costa
Marques os gregos Suriadak, Ruselakis, e Demétrio Mellas; os libaneses, sírios
e turcos Hassib Cury, Massud Jorge, Abraham Ibañes, entre outros. Os casarões
que teimosamente estão de pé à margem do Rio Guaporé testemunham tais figuras e
esses momentos idos de prosperidade trazidos pelo látex à Costa Marques que continuou
seguindo seu percurso de crescimento como distrito de Guajará-mirim.
A CRIANÇA NASCE, CRESCE E AMADURECE.
No
dia 16 de junho de 1981, através da Lei Federal nº 6.921, sancionada pelo então
Presidente João Baptista Figueiredo, Costa Marques torna-se município
emancipando-se de Guajará-mirim. Até que
houvesse eleição, já que vivíamos o período de ditadura militar, foi nomeado
como prefeito tampão, o senhor Mario Jorge Duarte de Queiroz. A instalação do município se deu no
dia 1º de fevereiro de 1983, concomitantemente com a posse dos primeiros
vereadores eleitos no dia 15 de novembro de l982, entre eles, Luiz Erich de
Menezes que assumiu a presidência do novel parlamento e Paulo Carrate Filho
assumiu a vice- presidência.
No
dia 31 de agosto de 1983 teve eleição para prefeito sendo eleito o senhor Rui
Rodrigues de Almeida que tomou posse no dia 10 de outubro do mesmo ano. Em
função da vacância no parlamento deixada pelo senhor Ruy Rodrigues de Almeida,
um dos eleitos vereador da primeira legislatura que agora assume como chefe do
executivo, assume a vereança a suplente Neuza Mendes Cortez e na vaga deixada
pelo vereador Francisco Justino Holanda por ter sido nomeado pelo novel
prefeito como Administrador Distrital, assumiu o suplente Tadeu de Souza Silva.
Estamos nos primeiros meses do 9º mandato e pelo
executivo municipal de Costa Marques passaram os seguintes prefeitos: Rui
Rodrigues de Almeida de 1984 – 1988; Sebastião Teixeira de 1989 – 1992; Antônio
Cassimiro da Silva de 1993, no terceiro ano o mandato do Sr. Antônio Cassimiro
foi interrompido por sua renuncia e o interventor José Luiz governou até 1996;
Elio Machado de Assis de 1997 – 2000; Raymundo Mesquita Muniz de 2001-2004;
Elio Machado de Assis volta a governar de 2004-2008; Jacqueline Ferreira Góis
de 2009-2012; Francisco Gonçalves Neto, o Chico Território, tomou posse no dia
1º de janeiro de 2013. O Chico Território também foi vereador ininterrupto da
2º e 3º legislatura - de 1989 a 1996 e foi vice-prefeito de 2001 a 2004.
No dia 07
de outubro de 2012, às 18 horas, soou a certeza da vitória da dupla Chico
Território e Maricélia. Sua majestade o eleitor escolheu e a vontade do povo é
soberana. Tem que ser respeitada.
CONCLUSÃO.
Costa Marques dista da
Capital Porto Velho 756 km, faz fronteira com a Bolívia e com os municípios de
Guajará-mirim, Seringueiras, e São Francisco do Guaporé. O Vale do Guaporé é
riquíssimo em belezas naturais. O seu corredor se estende de Porto Velho a
Costa Marques e foi estabelecido como um dos pólos ecoturistico da Amazônia. O
autor do hino de Costa Marques numa inspiração divina decantou que Costa
Marques é O “LUGAR ONDE DEUS REUNIU AS BELEZAS DO MUNDO”.
Prof. Carlos (costamarquense
apaixonado).